Lisbon cover.ed with glam

betrend.pt 

Há uma altura da vida em que parece que muita coisa se rompe e morre para se refazer ou nascer de novo. Julgo que todos já passámos, ou vamos passar, por isto. Há dias recebi uma mensagem de um amigo que está longe e que vive, à sua maneira e num contexto diferente do nosso, um momento de rutura. Sobretudo porque está sozinho (onde está). Mas o curioso é que essa solidão que ele experimenta vive-se também por cá (que isto te dê ânimo para continuar), mesmo quando se está rodeado de pessoas. Sei disto por vários casos que se têm vindo a atravessar no meu caminho. E é aí que percebo que o mundo será sempre um lugar só (nos dois sentidos). Eu própria me sinto a precisar de tempoS. Não de um tempo, mas de vários. Há muito tempo (passo a redundância). Só espero que o meu tempo - esse que eu preciso - chegue rápido para anular a rutura e eu me refazer. De nada em concreto, mas de coisas que se vão acumulando e que te pedem ‘fresh air’.  

Jan 21
Sometimes a little some time

Preparing myself for the crash.

Jan 24

Decidi hoje que ia investir (mais) na minha pele. Sinto-me ‘velha’ ao dizê-lo, mas… os anos pesam mesmo, caraças! Já não sou a miúda que podia lavar a pele todos os dias com um gel desincrustante de supermercado e aplicar-lhe um tónico em seguida (também de supermercado). A minha pele já não aceita isso. Pelo contrário, essa pele que sempre conheci por oleosa agora anda seca e sem brilho. E portanto, hoje estive com a minha esteticista e puxei a conversa. Resolvi que vou adquirir uma nova linha de produtos de cuidado para o rosto, de tratamento, que inclui: creme de contorno de olhos drenante (para prevenir rugas e evitar papos), creme hidratante diário (para já, o de peles sensíveis para repor a hidratação perdida e curar-me das ‘escamas’; no verão, vou para o mate) e leite de limpeza. Esqueçam o gel desincrustante com partículas exfoliantes. Aos 25 anos, a vossa pele já não quer isso. Optem pelo leite de limpeza e façam máscara de argila (essa já faço há anos!) uma vez por semana. Assim, garantido que terão uma pele (a caminhar para o maduro) saudável e bonita. Hoje dei o primeiro passo para isso (yupi). Quase arrisco dizer que me sinto mais ‘mulher’ (se bem que neste processo de ‘maturação’, os papos nos olhos ao acordar eram mesmo desnecessários!).

Jan 26
Dos cremes para o rosto

Hoje conheci a Alda (li-lhe o nome no cartão). E ‘apaixonei-me’ por um saxofonista negro que tocava junto à janela do ‘Vitaminas Chiado’. Passo a explicar: a Alda é taxista e, entre o percurso que fiz do meu local de trabalho a um atelier durante a manhã, percebi-a demasiado simpática para desperdiçar alguns minutos de conversa (e eu puxei um bocadinho por ela); o saxofonista tocou blues enquanto eu almoçava e lia a SÁBADO (passo a publicidade), e inevitavelmente trouxe-me à memória Nova Iorque e os bares de Greenwich Village (que saudades!). Comoveu-me sabê-lo mudo (ou será que fingia?!), quando lhe coloquei uma moeda (valente que era!) no chapéu. A Alda fez-me pensar noutros tempos. Contou-me que tinha começado a sua carreira numa antiga loja da baixa lisboeta: ’Os Dezassete’. 17 sócios e 17 secções. Que a loja abriu pouco depois do 25 de Abril de 1974, com as mulheres dos donos que estavam em casa a costurar e a tomar conta das crianças, mas que, num movimento de emancipação, decidiram sair e juntar-se a eles. Um ano depois, o lucro permitiu-lhes contratar empregadas e a Alda foi uma das 50. Agora, vão-se reunindo em almoços e jantares anuais. O primeiro foi a Alda que organizou: percorreu com o seu táxi os 49 postos de trabalho das 49 amigas que fez na loja (tinham perdido os números de telefone; restava o facto de só a Alda saber onde todas trabalhavam; não se importou com a tarefa). Quando terminou a mega ronda lisboeta, tinha confirmações de todas. O mérito foi seu, mas o que a deixou mais feliz foi a possibilidade de manter viva a amizade. Isso, acontece pouco na vida. Por ela saber disto, despedi-me com um ‘obrigada’ e ‘felicidades e que a vida lhe sorria sempre’. Ela assentiu, simpática e genuína (a genuinidade quase poderia ser tátil; é tão fácil identificá-la!).  O negro que tocava saxofone e me fez lembrar Nova Iorque, permitiu-me ainda olhar para fora (através da janela) e observar as pessoas que passavam. Tive a confirmação que Lisboa é linda, e está cada vez mais bonita.  As pessoas também. Mas, lamentavelmente, continua a faltar-lhe tanto. A culpa não é nossa. É a ‘gerência’ que falha.

Jan 28
A Alda e o saxofonista

Nunca pensei mudar-me para Itália. Corrijo: nunca pensei ser alguma vez possível concretizar uma vontade antiga. Sair do país por uns tempos, viver no seio de outra cultura. No fundo, sempre soube que acabaria por fazê-lo. Só não sabia quando nem exatamente como. Sempre me senti confortável no estrangeiro e, às vezes, pouco ‘portuguesa’. Se sou daquelas pessoas que está desiludida com o país? Sou. Não nego. Mas estou, sobretudo, desiludida com o facto - e atenção que até tenho sido uma pessoa bafejada pela sorte; na verdade, trabalhei para ela… - com as nulas oportunidades de crescimento profissional, e consequentemente pessoal. As empresas não permitem que sejamos o que podemos ser, e se procuramos sê-lo estamos ‘naturalmente’ a ‘ser impetuosos’. Aconteceu-me a mim e acontece a todos. E a verdade é que me cansei. E não sinto nem acho que deva ou mereça esperar. Uma pessoa não pode dar o máximo para receber (materialmente ou não) o mínimo. O jornalismo é, para mim, uma paixão; e em todos os trabalhos que fiz procurei ser sempre honesta comigo e correta com os outros. Tenho um espírito livre. Gosto de conhecer. Preciso de comunicar. E gosto - não: preciso - de escrever, também. Mas escrever coisas minhas (e nesse aspeto, houve quem mo permitisse fazer desde cedo; obrigada por isso). Estas caraterísticas continuarão sempre presentes em mim e vão acompanhar-me para onde quer que eu vá. Parece-me, portanto, que saio sem sair. E que me mantenho para aqueles que quiserem acompanhar-me nesta ‘pequena viagem’. Em regime livre. Porque jornalista serei sempre e a comunicação não abandonarei nunca. Posso, pelo contrário, acumular-lhes novos saberes: a fotografia, o design, a moda, até o ensino (por que não?). As mesmas paixões mas num contexto diferente. E porque as oportunidades, durem o tempo que durarem, só surgem uma vez na vida, eu sinto que devo agarrá-las. Eis o que eu sei. Só espero não falhar no que me falta saber. P.S - E há também outra certeza: em Julho estarei a assistir ao desfile que, em Milão, vai ditar o futuro de um grande amigo meu, e partilharei do (teu) nervosismo quando os olheiros (te) avaliarem. Não há com o que (te) preocupares. As pessoas de quem mais gostas estarão lá para (te) apoiar. (em breve estarei mais perto, é o que isto significa).

Jan 29
Coisas que eu sei (e me faltam saber)

Hoje tive a sensação que descansei uma pessoa muito ‘nervosinha’. Se é que me entendem.

Feb 3
Hoje

Nunca dei por mim a listar ‘coisas a fazer antes de ir embora’. Soa até que uma pessoa vai partir para sempre - que não vai - mas… há sempre aquela sensação de ‘não sei o que me espera depois; é melhor sair com a certeza de que matei saudades de tudo’.  Por isso, estes dois meses vou sentir-me mais ou menos como a Michelle Pfeiffer em ‘Ano Novo, Vida Nova’: tenciono listar alguns mandamentos e cumpri-los; pena é que terei - as always - de consegui-los sozinha. Não haverá cavalheiro que os prepare para mim (embora, haja, certamente, cavalheiro que me acompanhe neles; o que já não é mau de todo).     Ei-los: Rever TODOS os meus amigos. Quiçá fazer um jantar. Temo, no entanto, que assim as atenções se dispersem, tornando-se impossível atender a cada um; acho portanto que fá-lo-ei ‘um a um’ e julgo que um mês seja suficiente para isso. Next. Passar uns (bons) dias em Cabanas. Dar um passeio pela praia e sentar-me na ‘minha esplanada’ com um livro ao colo. Tomar o pequeno almoço no jardim. Comer muito peixe (bem dito barbecue!), matar saudades dos (meus) doces. Levar a Carlota a correr pelo areal. Fácil, fácil. É só descer ao Algarve. Ir a Tróia. Olhar para a Arrábida.  Marcar brunch no Museu de S. Roque, ou em alternativa no Tivoli (Hotel). Ouvir Jazz no Tati. Passar pela Pensão Amor. Descer a Avenida da Liberdade e entrar nas lojas (algumas), subir o Chiado - beber chá no Tease (se a dieta estiver OK arrisco um cupcake). Caminhar até ao Princípe Real. Entrar na lojinha de chás franceses (um tesouro cujo nome nunca recordo; mea culpa). Voltar ao Terreiro do Paço. Fotografá-lo. Sentar-me no Aura (desta vez, lá dentro). Caminhar em direção ao Castelo. Parar no Pois Café (não esquecer o livro). Apanhar o eléctrico até Campo de Ourique. Para já, parece-me que é isto. Vou ver se nos próximos dias me ocorrem coisas menos ‘urgentes’…

Feb 5
Da despedida

… que estou em casa, de repouso (quase) absoluto (ao almoço tive de sair por duas horas e isso multiplicou-se em sei lá quantas de dores) para escrever um artigo sobre sapatos (paradinha, cheia de almofadas à minha volta, só a mexer os dedos). Assim me ‘obriga’ uma nova ‘parceria’. Vou investigar sobre o assunto e entretanto acabarão por saber mais. Por enquanto, apetece-me dizer que o Serviço Nacional de Saúde não funciona e que não fosse eu ontem a correr para uma médica particular não sei se (ainda) cá estaria hoje. Enfim. E acrescento: depois de uma novidade boa, acontece-me sempre (mas sempre) qualquer coisa má. Damn it.

Feb 8
Aproveito…